A crise financeira que assolou o mundo em 2008 pode ter sido superada, mas o mundo não está livre de voltar a sentir seus efeitos nos próximos anos. Segundo especialistas, as crises costumam se repetir em ciclos, o que não significa que os bancos e os reguladores devem abandonar os trabalhos de melhorias de seus sistemas e controles, e sim que estes servirão apenas para garantir que os conglomerados sobrevivam aos furacões.
Em apresentação recente feita em São Paulo, o professor Jean Dermine, da Escola de Finanças da Insead em Fontainebleau, na França, contou que, desde 1982, o mundo se viu assolado por crises pelo menos a cada três ou quatro anos. E esse quadro, característico de economias cíclicas, não deve mudar.
“Depois de superada uma crise, a recuperação faz com que as pessoas esqueçam rapidamente dos problemas vividos anteriormente e exagerem no consumo, comprando mais do que podem pagar”, diz Álvaro Taiar, responsável pela indústria de mercado financeiro da PricewaterhouseCoopers (PwC). “Nesse contexto, um pequeno escorregão pode virar inflação. Governos também se endividam e ficam prestes a quebrar - e, assim, está criada a faísca que vai gerar o incêndio”, afirma.
“Depois de superada uma crise, a recuperação faz com que as pessoas esqueçam rapidamente dos problemas vividos anteriormente e exagerem no consumo, comprando mais do que podem pagar”, diz Álvaro Taiar, responsável pela indústria de mercado financeiro da PricewaterhouseCoopers (PwC). “Nesse contexto, um pequeno escorregão pode virar inflação. Governos também se endividam e ficam prestes a quebrar - e, assim, está criada a faísca que vai gerar o incêndio”, afirma.
Carlos Gatti, sócio da KPMG no Brasil na área de assessoria financeira, não só concorda como acredita que, daqui em diante, esse ciclo visto nos últimos 30 anos se consolidará. Ele lembra que a próxima crise pode ser inclusive gerada pela última, de 2008. “Nos próximos 24 meses temos uma potencial onda de inadimplência no mundo, acobertada por um otimismo exagerado em relação à recuperação dos problemas de dois anos atrás.” A faísca nesse caso são os US$ 4 trilhões de dívidas geradas na crise e que vão vencer no curto prazo.
No caso do Brasil. Taiar, da PwC, acredita que os bancos nacionais não sofreram tanto na última crise justamente pela experiência que acumularam com as anteriores. “Depois de tantos problemas, adotamos padrões muito mais rígidos de controle que os internacionais.”
Essa vantagem acabou sendo premiada pelos investidores em todo o mundo. Segundo o professor Dermine, os bancos brasileiros tinham, em meados de setembro, a maior relação entre valor de mercado e patrimônio entre as principais instituições financeiras internacionais. Isso significa que o mercado está disposto a pagar mais para ter ações brasileiras.
No levantamento do professor, de 13 de setembro, a ação do Itaú Unibanco estava no topo de uma lista de 15 bancos internacionais, com um valor de mercado 3,16 vezes superior ao patrimônio. Deixava para trás instituições como Citigroup (0,7), Goldman Sachs (1,14) e Credit Suisse (1,4).
Nenhum comentário:
Postar um comentário